Magisterium AI

Resposta do CEO da Longbeard ao “Delete Magisterium AI” de Marc Barnes

Nesta carta aberta, Matthew Harvey Sanders, CEO da Longbeard, responde a uma publicação de blog de 12 de janeiro de 2026 intitulada, “Delete Magisterium AI.” Marc Barnes, o autor do artigo, publicou-o através da New Polity em resposta ao discurso de Sanders de dezembro de 2025 intitulado, “A Missão da Igreja na Era da IA.”


Olá Marc,

Li o seu ensaio, “Delete Magisterium AI,” com grande interesse.

Como eu disse antes, estamos em uma encruzilhada — uma “madeira amarela” onde dois caminhos se divergem. Um é um caminho escuro onde a tecnologia eclipsa nossa humanidade, e o outro é um “caminho dourado” onde ela serve para elevar.

Acredito que sua crítica é uma parte vital do discernimento necessário para garantir que escolhamos a última opção.

Você e eu compartilhamos um ponto de partida fundamental: uma profunda desconfiança do “paradigma tecnocrático” e a convicção de que a Fé é recebida de pessoas, em última análise, a Pessoa de Cristo, e não gerada por máquinas.

No entanto, acredito que a sua conclusão—de que devemos deletar esta tecnologia para preservar nossa humanidade—confunde o meio com a missão.

Aqui está a minha crítica aos seus principais argumentos, oferecida no espírito de um desejo comum pelo florescimento da Igreja.

1. A Confusão entre “Comunhão” e “Consulta”

Você argumenta que a conversa é teleologicamente ordenada para a comunhão com outra inteligência e, portanto, falar com um chatbot é um ato inerentemente “desordenado” — uma espécie de superstição onde tratamos uma coisa como se fosse uma pessoa.

Minha Resposta: Este argumento confunde a mecânica da linguagem com a intimidade da conversa. Quando um estudante consulta o Magisterium AI, ele não está buscando uma “comunhão” com o software mais do que um acadêmico busca “comunhão” com o catálogo de fichas ou o índice da Summa Theologiae. Eles estão buscando acesso ao patrimônio da Igreja.

Construímos o Magisterium AI não para ser um “amigo digital” ou um “padre robótico”, mas como um instrumento altamente especializado para exploração. É um “sintetizador” da memória coletiva da Igreja. Afirmar que usar a linguagem natural para consultar um banco de dados é uma “mentira moral” é não entender a natureza da ferramenta. Não é uma pessoa falsa; é uma interface dinâmica. Se podemos usar um índice estático para encontrar os pensamentos de Agostinho sobre a graça, por que seria desordenado usar um dinâmico que pode sintetizar esses pensamentos em segundos? A “comunhão” acontece quando o usuário toma essa verdade e a leva para sua oração ou sua comunidade paroquial — o que é exatamente o que projetamos a ferramenta para incentivar.

2. O “Meio é a Mensagem” (O Hábito da Simulação)

Você argumenta que mesmo que saibamos que a IA não é uma pessoa, o simples ato de conversar com ela forma um “hábito de simulação”. Você sugere que, ao fingir um diálogo com uma máquina, treinamos nossas almas para se satisfazerem com a “não mutualidade”, efetivamente nos deformando para aceitar imitações baratas de amor e verdade.

Minha Resposta: Eu rejeito a premissa de que consultar em linguagem natural é o mesmo que conversar.

Quando um usuário digita, “O que a Igreja ensina sobre usura?” em nosso sistema, ele não está engajando em uma “falsa conversa”. Ele está usando a interface mais natural que os humanos possuem—a linguagem—para realizar uma função de busca complexa. A interface de “chat” é simplesmente uma evolução tecnológica do índice ou da barra de busca.

Argumentar que essa interface inerentemente nos deforma é argumentar que eficiência é o inimigo da santidade. O monge que usava uma concordância “pesquisável” da Bíblia era menos santo do que aquele que tinha que memorizar cada versículo? Eu não acredito nisso. O perigo não está na ferramenta, mas no antropomorfismo da ferramenta.

É por isso que retiramos da Magisterium AI a “personalidade”. Ela não tem um nome como “Padre Justin”; ela não diz “Eu sinto” ou “Eu acredito”. Ela diz, “O documento ‘Lumen Gentium’ afirma…” Estamos focados em quebrar deliberadamente a ilusão de personificação para proteger o usuário do exato hábito que você teme. Estamos construindo um telescópio, não um espelho.

3. O Medo da “Autoridade Impessoal”

Você levanta uma preocupação válida de que a IA possa reduzir a tradição viva da Igreja a meros “dados”, desvinculando o ensino do professor. Você teme que estejamos substituindo a voz viva do Magistério por uma aproximação algorítmica.

Minha Resposta: É exatamente por isso que construímos a Magisterium AI da maneira como fizemos—para ser “fiel, profunda e verificável”. Diferentemente de modelos seculares como o ChatGPT, que criam ilusões e operam como caixas-pretas, nosso sistema está totalmente ancorado nos documentos oficiais da Igreja.

Não estamos substituindo a autoridade; estamos ampliando o acesso a ela. Por séculos, a grande maioria da sabedoria da Igreja estava trancada em arquivos físicos ou textos em latim não traduzidos, acessíveis apenas a uma pequena elite acadêmica em lugares como Roma. É essa a “transmissão pessoal” da fé que queremos proteger? Ou existe uma maior caridade em desbloquear esse tesouro para os fiéis em 165 países? A IA não gera a verdade; ela recupera e te direciona de volta à fonte. É uma janela, não a vista em si.

Ela atua menos como um autor e mais como um assistente jurídico. Localiza o precedente, resume o texto específico e coloca o documento diante de você. Se não conseguir encontrar o ensinamento nos documentos oficiais, deve permanecer em silêncio.

Ao ancorar cada saída em uma referência verificável, removemos a “sorte” e devolvemos ao usuário a base sólida do texto.

4. O Nome: Usurpando o Professor?

Uma crítica que ouvi frequentemente, e que parece fundamentar a sua hesitação, é o próprio nome: “Magisterium AI”. Pode parecer que, ao aplicar este título a uma máquina, estamos afirmando que a máquina possui a autoridade de ensino da Igreja, efetivamente criando um “Papa Robótico”.

Minha Resposta: Quero deixar claro: A IA não é o Magistério. Ela não tem autoridade, nenhum carisma de infalibilidade e não possui alma. Escolhemos o nome para descrever o escopo da biblioteca, não a natureza do agente.

Assim como uma “Biblioteca de Direito” não é um Juiz, mas um local onde a lei é guardada, a Magisterium AI não é o Professor, mas o local onde o Ensino é organizado.

Nomeamos assim para sinalizar aos fiéis que esta ferramenta não está referenciando a internet aberta, fios de discussão no Reddit ou comentários seculares. Ela é estritamente fundamentada no Magistério — os documentos oficiais de ensino da Igreja — assim como no amplo tesouro de obras teológicas e filosóficas católicas, como os Doutores e Pais da Igreja. O nome é um rótulo para o peso autoritativo do conteúdo, não uma reivindicação da autoridade que a IA exerce. É um sinalizador, não o destino.

5. A Acusação de “Gnosticismo” (Separando a Verdade do Corpo)

Você argumenta que, ao transformar a fé em um conjunto de dados, corremos o risco de uma nova forma de Gnosticismo — tratando o Catolicismo como uma coleção de 'conhecimentos secretos' ou 'informações' que podem ser extraídos do Corpo Vivo de Cristo e dispensados por uma máquina. Você teme que isso desencarne a fé, sugerindo que 'ter as respostas' é o mesmo que 'ter a fé.'

Minha Resposta: Esta é talvez a sua advertência mais profunda. Se o Magisterium AI fosse um substituto para a tradição vivida, você estaria certo. No entanto, devemos distinguir entre Formação e Informação.

A Igreja sempre usou ferramentas “desencarnadas” para armazenar e recuperar informações. Quando São Tomás de Aquino escreveu a Summa, ele estava codificando sabedoria em um meio estático (tinta e pergaminho) para que pudesse ser recuperada por pessoas que ele nunca encontraria. Um livro não é uma pessoa. Uma biblioteca não é um bispo. No entanto, não chamamos uma biblioteca de “Gnóstica” porque armazena os dados da fé fora de um cérebro humano.

Magisterium AI é essencialmente uma biblioteca dinâmica. Não oferece graça sacramental; oferece clareza intelectual. Ajuda o usuário a encontrar o que o Concílio de Trento disse sobre Justificação para que — e isso é fundamental — eles possam ir e vivê-la. O perigo que você identifica é real, mas a solução não é destruir a biblioteca; é garantir que a biblioteca tenha uma porta que conduza de volta à paróquia.

6. O “Caminho Dourado” vs. O Retiro

A sua solução é a retirada: “Excluir Magisterium AI.” Você parece sugerir que, porque esta tecnologia pode ser usada para o “caminho sombrio” do isolamento e simulação, ela deve ser rejeitada por completo.

Minha Resposta: Isto é uma falha de imaginação e, eu argumentaria, uma falha de administração. A revolução da IA não está a caminho; ela já chegou. Se a Igreja abandonar este espaço, nós cedemos a formação de milhões de mentes para algoritmos seculares treinados em valores antagônicos ao Evangelho.

No meu discurso, “A Missão da Igreja na Era da IA”, eu argumentei que a Igreja, que estudou a condição humana por mais tempo do que qualquer outra instituição, está singularmente posicionada para liderar esta revolução. Nós temos a estrutura moral para direcionar estas tecnologias para o florescimento humano. Se nós “deletarmos” nossa presença neste domínio, não impedimos que ele deixe de existir; simplesmente garantimos que ele permaneça sem Deus.

Devemos ter a coragem de batizar a ferramenta, não enterrá-la. Podemos usar esses sistemas para lidar com o “trabalho do conhecimento” da Igreja—organizando, traduzindo e sintetizando informações—para que nossos padres e líderes leigos sejam liberados para o trabalho que apenas humanos podem fazer: sacramentos, cuidado pastoral e verdadeira comunhão.

No fim das contas, Marc, a Cidade de Deus precisa tanto do vigia no muro quanto do pedreiro na pedreira; acolho seus avisos como o atrito necessário que afia nosso trabalho, contanto que concordemos que o objetivo não é abandonar as ferramentas de nossa época, mas sim organizá-las corretamente.

Atenciosamente,

Matthew Harvey Sanders
CEO, Longbeard